Para além de ter estado presente neste encontro, coloquei a notícia na newsletter do meu serviço.
E não me arrependi! Antes pelo contrário, consolidei ideias sobre temas/conceitos/teorias que estão hoje em dia muito na “boca de cena”, muito discutidos, o que significa que os CEO estão atentos, as organizações estão com vontade de acompanhar as tendências mundiais, estão abertas à inovação, à melhoria das condições sociais, económicas e ambientais, tendo eventualmente percebido que as políticas sociais, ambientais, económicas só fazem sentido se se organizarem e unirem numa perspetiva de, em uníssono, prosseguirem este princípio: SUSTENTABILIDADE – ECONOMIA SUSTENTÁVEL.
A sessão da noite, em forma de “Mesa Redonda”, foi composta por Carlos Vieira (Administrador do Grupo ENSINUS), João Roquette (Administrador da Herdade do Esporão), Bernardo Trindade, (Administrador do Porto Bay Hotels & Resorts), Gilberto Jordan (Administrador do Grupo André Jordan), José Manuel Silva Rodrigues (Presidente do Conselho de Administração da Carris e Docente do ISG), Susana Carvalho (Docente do INP). O Moderador foi Nuno Oliveira (Docente e Investigador do CIGEST).
A Professora Susana Carvalho lançou alguns desafios ‘inquietantes’. Defendeu que o conceito de “Responsabilidade Social” está fora de moda. Isto porque os estudos recentes apontam para uma “renovação” do conceito como prolongamento para um princípio de Sustentabilidade (social, económico e ambiental). Diz ela que “nos encontramos na era das Ciências evoluídas. Se não hibridarmos saberes é impossível dinamizar a sustentabilidade. São independentes entre si, mas dependentes entre todas.” Defende que a sustentabilidade está na agenda dos nossos dias: agenda dos media, agenda pública, agenda das organizações, agenda política…. A Banca, como o Barclays e o Santander – entre outros – possuem um discurso narrativo sobre cidadania nas suas redes sociais (Ex: youtube). É um assunto que já está nas agendas das organizações. Existem indicadores, nos índices do Dow Jones, de empresas com maior ou menos capacidade de serem sustentáveis. E o desafio prossegue com exemplos como o de empresas que apresentam índices superiores de sustentabilidade e, no entanto, falham preocupantemente nos índices vergonhosos, (não mensuráveis publicamente), de colaboradores seus que se suicidam, que vivem no local de trabalho sem condições para dele se libertarem, devido à “trama” de uma máquina económica e social imposta e montada pela organização, pela impossibilidade de estarem disponíveis diariamente para acompanhar as suas famílias, etc. etc.
Foi mencionado o facto da intervenção do Estado. Uns defendem que deve existir somente como regulador, que devia tutelar somente a Justiça e a Defesa Territorial. No entanto, foi o Estado Português o que impulsionou a Iniciativa Business & Biodiversity.
“A Iniciativa “Business and Biodiversity” – B&B –, é uma iniciativa da União Europeia e em Portugal é promovida pelo Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, I. P. (ICNB, I.P).
A Iniciativa B&B, procura promover, através de acordos voluntários e assentes em compromissos públicos, um campo comum para a colaboração entre o negócio e a biodiversidade, que favoreça a introdução da biodiversidade nas estratégias e políticas das empresas contribuindo para a perda da biodiversidade a nível local, nacional e global.
A Iniciativa B&B foi lançada em 2007, tendo já aderido 59 empresas e organizações.
Este campo comum de colaboração entre áreas distintas, tem permitido o desenvolvimento de projetos e ações em prol da biodiversidade.[1]
Quanto à comunicação, que é o suporte da sustentabilidade, esta tem um motor importantíssimo de divulgação que é através da PALAVRA. A palavra tem poder. É através dela que se dá visibilidade ao conceito de sustentabilidade.
Silva Rodrigues defende o estudo de caso da CARRIS. A marca é um ativo incorpóreo nas empresas. Empresas com índices Dow Jones são mais valorizadas. Empresas acreditadas são auditáveis periodicamente o que lhes permite reinventarem-se de acordo com os desafios internos e externos. A sustentabilidade e cidadania andam a par e passo. Sob um ponto de vista macro são as economias sustentáveis as que criam riqueza, postos de trabalho. No entanto Portugal não tem uma economia sustentada. O desafio é torna-la sustentável. A crise das dívidas soberanas demonstram que nem a Europa tem uma economia sustentada. As empresas de transportes têm que ser capazes de responder às necessidades dos seus públicos, apresentando novas soluções de mobilidade, descongestionamento, energias mais limpas, conforto dos seus veículos, combinação com outros tipos de transporte, carsharing ou carpulling, incentivando o uso de transportes verdes, etc.
Bernardo Trindade falou do turismo eco e turismo residencial. A oferta de espaços de laser cresceu mais três vezes do que a procura. Tem que haver uma forte regulamentação do ambiente, ordenamento, áreas de dimensão económica e fora das grandes urbes. Hoje já se atesta a capacidade hoteleira, na sua classificação, de 4 em 4 anos. Há uma forte aposta nas boas práticas dos colaboradores o que aumenta o grau de satisfação do cliente e a sua fidelização.
João Roquette falou na evolução e na sustentabilidade de uma herdade que existe deste 1277, há 800 anos. A mudança cultural apoia-se em bom senso. Emprega 250 pessoas. Teve de lidar com mudança de motivações. Foi um processo lento e que é aplicado aos poucos. Está a praticar agricultura sustentável.
Gilberto Jordan defende que o que se faz em cada país é diferente. A sustentabilidade das organizações em cada cultura e cidadania, em cada povo, é diferente. Os campos de golf roubam terrenos à agricultura. No entanto são pasto com homens. Os níveis de desemprego, no Algarve, descem nos meses entre Outubro e Maio. Existem 35 campos de golf no algarve.
Foi mencionada a ISO 26000 (que estabelece um padrão mundial de responsabilidade social). É um documento voltado para as práticas de responsabilidade social empresarial e pode contribuir para o futuro da economia verde. No entanto surgiram profundos problemas nas definições sobre “o que é o trabalho infantil”, “até quando se é criança”, etc.? Coloca-se um problema: trabalhar ou não trabalhar para matar a fome? A visão legislativa não chega quando se elaboram normativos para colmatar problemas mundiais sociais, económicos, ambientais.
Procedeu-se a um interessante debate de esclarecimento entre elementos do público e os oradores.
Esta iniciativa culminou com uma prova de vinhos (branco e tinto) patrocinada pela Herdade do Esporão.
Lisboa, 18 de Abril de 2012



Sem comentários:
Enviar um comentário