De acordo com Pavlova (2011) o conceito de desenvolvimento sustentável está em alguns países a tornar-se cada vez mais importante no sentido em que este responde a algumas lacunas que o conceito de meio ambiente apresenta. Algumas instituições estão mesmo a substituir cursos de educação ambiental por educação para desenvolvimento sustentável.
Fonte: http://www.canalmoz.com/default.jsp?file=ver_artigo&nivel=1&id=11&idRec=2966
Fonte: http://www.canalmoz.com/default.jsp?file=ver_artigo&nivel=1&id=11&idRec=2966
O conceito de meio ambiente está mais preocupado com o ecossistema como um todo, portanto com uma forte visão de ética ambiental eco-cêntrica, enquanto que o desenvolvimento sustentável inclina-se mais para o lado social e humano, sem contudo advogar por um forte antropocentrismo. Preocupa-se com o melhorar a qualidade de vida dos humanos mas procurando formas de não comprometer o ecossistema (trocando em outras palavras o desenvolvimento sustentável advoga que não é solução por exemplo proibir que as pessoas cortem a lenha em zonas onde esse é o único recurso acessível, tem que se estudar a saída para que as pessoas continuem a levar uma vida de qualidade). A questão de sustentabilidade é referenciada como um dos objectivos de desenvolvimento do milénio (MDG), e é o primeiro dos 15 desafios mundiais identificados pelo Projecto do Milénio. A grande questão é: Como equacionar o lado humano com o lado da natureza para tornar realidade um desenvolvimento sustentável? Trocando em outras palavras: como podem as populações fazer uso dos recursos naturais (como lenha) sem comprometer o futuro das gerações vindouras? Eu coloco como papel da UP incutir os cursos de uma filosofia e visão viradas para o desenvolvimento sustentável. Esta questão aparece como muito importante uma vez que o nível de consumo anual de recursos está 40% mais rápido do que o que o planeta pode regenerar em um ano (Ownu & Kyle, 1011). Não é sustentável não incluirmos esta perspectiva (que é multidisciplinar) sobre desenvolvimento sustentável na pesquisa, ensino e extensão, nas acções da UP.
Em suma, estes três pontos que trouxe aqui como o papel da UP estão interconectados.
Temos que centralizar o local e criarmos nossas teorias que se apropriem ao nosso contexto e sermos vigilantes às ofertas de desenvolvimento que vêm do exterior. Essas ofertas podem não servir ao nosso contexto local e perigarem um desenvolvimento sustentável. De facto, como Universidade, o grande papel da UP que advoga a função de “produção e disseminação de conhecimento para a transformação da sociedade moçambicana rumo ao desenvolvimento social, cultural, e tecnológico” (Plano Estrategico da UP, p. 29) é produzir conhecimento e teorias (em todas as áreas das ciências: pedagógica, filosófica, física, etc.) que sirvam o nosso contexto, aplicar e usar conhecimento como instrumento de vigilância crítica para informar e influenciar o governo na tomada de decisões certas face aos desafios da globalização. Os nossos cursos devem inculcar nos futuros graduados esta postura de vigilância epistemológica crítica inspirada na visão e valores que conduzem a um desenvolvimento sustentável.
*Texto adaptado da Oração de Sapiência apresentada na Aula Inaugural do Ano Académico (2012) da Universidade Pedagógica (UP), realizada na delegação de Tete.
De vez em quando dou um salto até à minha terra Natal (viajando pelo ciberespaço que é mais barato e rápido). As preocupações com o meio ambiente são a nível mundial. E aqui está um texto precioso sobre este tema tão actual.
ResponderEliminarMarrabenta