segunda-feira, 2 de abril de 2012

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (artigo publicado no Semanário SAVANA, Maputo, Moçambique)


De acordo com Pavlova (2011) o conceito de desenvolvimento sustentável está em alguns países a tornar-se cada vez mais importante no sentido em que este responde a algumas lacunas que o conceito de meio ambiente apresenta. Algumas instituições estão mesmo a substituir cursos de educação ambiental por educação para desenvolvimento sustentável.
Fonte:
http://www.canalmoz.com/default.jsp?file=ver_artigo&nivel=1&id=11&idRec=2966

O conceito de meio ambiente está mais preocupado com o ecossistema como um todo, portanto com uma forte visão de ética ambiental eco-cêntrica, enquanto que o desenvolvimento sustentável inclina-se mais para o lado social e humano, sem contudo advogar por um forte antropocentrismo. Preocupa-se com o melhorar a qualidade de vida dos humanos mas procurando formas de não comprometer o ecossistema (trocando em outras palavras o desenvolvimento sustentável advoga que não é solução por exemplo proibir que as pessoas cortem a lenha em zonas onde esse é o único recurso acessível, tem que se estudar a saída para que as pessoas continuem a levar uma vida de qualidade). A questão de sustentabilidade é referenciada como um dos objectivos de desenvolvimento do milénio (MDG), e é o primeiro dos 15 desafios mundiais  identificados pelo Projecto do Milénio. A grande questão é: Como equacionar o lado humano com o lado da natureza para tornar realidade um desenvolvimento sustentável? Trocando em outras palavras: como podem as populações fazer uso dos recursos naturais (como lenha) sem comprometer o futuro das gerações vindouras? Eu coloco como papel da UP incutir os cursos de uma filosofia e visão viradas para o desenvolvimento sustentável. Esta questão aparece como muito importante uma vez que o nível de consumo anual de recursos está 40% mais rápido do que o que o planeta pode regenerar em um ano (Ownu & Kyle, 1011). Não é sustentável não incluirmos esta perspectiva (que é multidisciplinar) sobre desenvolvimento sustentável na pesquisa, ensino e extensão, nas acções da UP.
Em suma, estes três pontos que trouxe aqui como o papel da UP estão interconectados.
Temos que centralizar o local e criarmos nossas teorias que se apropriem ao nosso contexto e sermos vigilantes às ofertas de desenvolvimento que vêm do exterior. Essas ofertas podem não servir ao nosso contexto local e perigarem um desenvolvimento sustentável. De facto, como Universidade, o grande papel da UP que advoga a função de “produção e disseminação de conhecimento para a transformação da sociedade moçambicana rumo ao desenvolvimento social, cultural, e tecnológico” (Plano Estrategico da UP, p. 29) é produzir conhecimento e teorias (em todas as áreas das ciências: pedagógica, filosófica, física, etc.) que sirvam o nosso contexto, aplicar e usar conhecimento como instrumento de vigilância crítica para informar e influenciar o governo na tomada de decisões certas face aos desafios da globalização. Os nossos cursos devem inculcar nos futuros graduados esta postura de vigilância epistemológica crítica inspirada na visão e valores que conduzem a um desenvolvimento sustentável.
*Texto adaptado da Oração de Sapiência apresentada na Aula Inaugural do Ano Académico (2012) da Universidade Pedagógica (UP), realizada na delegação de Tete.

1 comentário:

  1. De vez em quando dou um salto até à minha terra Natal (viajando pelo ciberespaço que é mais barato e rápido). As preocupações com o meio ambiente são a nível mundial. E aqui está um texto precioso sobre este tema tão actual.
    Marrabenta

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